

Número de idosos que navegam em casa subiu de 122 mil para 265 mil em quatro anos.
Apesar de esse grupo ainda ser bastante restrito, ele dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. Entre os 18 milhões de usuários residenciais da internet brasileira registrados em junho de 2007, 1,48% (cerca de 265 mil) tinham mais de 65 anos. Segundo o Ibope//NetRatings, em junho de 2003 esse público respondia por ou 1,55% dos 7,9 milhões de usuários da web residencial, ou cerca de 122 mil pessoas.
“A quantidade de internautas com mais de 65 anos está crescendo, mas proporcionalmente se mantém estável. Isso acontece porque, apesar de estarem em número muito maior hoje do que há alguns anos, os idosos perdem espaço proporcional para os mais jovens”, explicou ao G1 Alexandre Magalhães, gerente de análise de mercado do Ibope Inteligência. “As crianças que moram onde há internet convertem-se 100% em usuários da web. Os idosos, não. Parte deles torna-se internauta, mas esse acesso não é algo ‘natural’ em suas vidas”, continuou o especialista.
Uma das principais barreiras para a popularização da web entre esse público está no medo da tecnologia. Cogo reconhece que é preciso ter paciência para aprender a lidar com o computador, mas acredita que o esforço vale a pena. “Faço muitas consultas na internet, até para conferir a lista de telefone e encontrar algum endereço no mapa”, conta o aposentado, que não se considera um “fanático” por computador.
Portal tem conteúdo segmentado (Reprodução)Pelo fato de os jovens estarem presentes em massa no universo virtual, grande parte dos sites e serviços on-line é voltada a esse público. Por isso, a ONG Cidadão Brasil lançou, no início de 2006, o Portal 3ª Idade , que tem como objetivo incluir os idosos na era digital. “A terceira idade tem o direito de ocupar esse espaço público, mas muitas vezes não encontra um bom motivo para acessar a internet. Por isso, decidimos criar uma página com conteúdo segmentado”, conta Tony Bernstein, coordenadora geral do projeto.
Com essa proposta, a seção “cursos e atividades”, por exemplo, exibe informações sobre jogos regionais dos idosos, teatro na terceira idade e até um curso de introdução à informática. Já as notícias estão voltadas para o público-alvo do portal, enquanto o mural de amizade tem anúncios daqueles que procuram amigos e também sua cara-metade. “Uma vez que o usuário perde o medo, ele explora as diversas possibilidades do site e também da internet”, diz Bernstein, que afirma receber diariamente cerca de 200 e-mails dos usuários da página.
Os idosos também reforçam presença em páginas não-segmentadas, como o site de relacionamentos Orkut. As comunidades “Orkuteiros da 3ª idade”, “Informática na terceira idade”, “Velho é o seu preconceito” e “Esta é a turma do enta...”, por exemplo, reúnem centenas de internautas (muitos deles com menos de 65 anos) que discutem questões de interesse entre os usuários mais velhos. A internauta Idalina Messias, parte do grupo “Terceira idade na era digital”, considera as comunidades uma boa alternativa para manter contato com outras pessoas do mundo digital.
Os interesses dela, no entanto, não param aí. Funcionária de um escritório de contabilidade, ela utiliza a web no trabalho e também para lazer. Google, sites de instituições financeiras e páginas de notícias estão entre os endereços que ela navega para “fazer pesquisas e ficar atualizada sobre o mundo”.
JULIANA CARPANEZ Do G1, em São Paulo

Apesar do medo, idosos ganham força na web
